Telemedicina e TISS: como faturar consultas online sem glosa

A telemedicina deixou de ser experimento e virou parte da operação de clínicas e consultórios. O lado bom: alcance e conveniência. O lado complicado: as operadoras passaram a apertar a régua no faturamento, e qualquer descuido vira glosa. Veja como faturar consultas online de forma segura.
O que mudou: regulamentação CFM e ANS
Após a pandemia, o Conselho Federal de Medicina publicou a Resolução CFM 2.314/2022, que regulamenta a prática de telemedicina no Brasil — modalidades (teleconsulta, telediagnóstico, teleinterconsulta), responsabilidade, prontuário eletrônico e termo de consentimento.
Do lado da ANS, o padrão TISS evoluiu para acomodar essa realidade. As versões 4.x melhoraram campos de identificação da modalidade do atendimento, e operadoras passaram a exigir indicação clara de "atendimento presencial" ou "telessaúde".
Códigos TUSS para telemedicina
Existem códigos TUSS específicos para teleconsulta e atendimentos remotos. Cada operadora publica em seu contrato quais códigos aceita e o valor pago. Não use o código de consulta presencial para faturar telemedicina — é glosa quase certa.
Mantenha a tabela TUSS atualizada e cheque com sua operadora quais códigos de telessaúde estão liberados no contrato vigente.
Documentação obrigatória para não cair em glosa
Operadoras pedem evidência de que a consulta realmente aconteceu via plataforma adequada. Tenha em arquivo:
- Termo de consentimento assinado pelo paciente (pode ser digital).
- Registro no prontuário eletrônico com modalidade, horário e plataforma.
- Identificação do médico com CRM e UF.
- Log da plataforma de teleatendimento (data, hora, duração).
- Assinatura digital com ICP-Brasil no prontuário, recomendada pelo CFM.
Passo a passo para emitir a guia TISS de telemedicina
1. Confirme a elegibilidade do beneficiário (rode consulta de elegibilidade antes da consulta).
2. Realize a teleconsulta em plataforma compatível com a Resolução CFM.
3. Registre o atendimento no prontuário, gere termo de consentimento e arquive o log da plataforma.
4. Monte a guia TISS (geralmente uma Guia de Consulta) com o código TUSS específico de telemedicina, indicando claramente a modalidade.
5. Valide o XML no validador TISS online e transmita à operadora dentro do prazo da competência.
Vídeo: pratique vendo na tela
Para ver telemedicina sendo faturada na prática, busque no YouTube: faturar telemedicina TISS convênio. Há vídeos de consultorias mostrando o passo no software de gestão.
Perguntas frequentes
Posso atender por WhatsApp e faturar como telemedicina?
Não. O CFM exige plataforma específica que garanta segurança, registro e identificação. WhatsApp comum não atende aos requisitos para fins de telemedicina formal.
O paciente precisa morar na mesma cidade?
Não. A telemedicina pode ser realizada com pacientes em qualquer localidade do Brasil, desde que o médico tenha CRM ativo e siga a Resolução CFM 2.314/2022.
Como saber se o convênio paga telemedicina?
Confirme no contrato com a operadora. A maioria das grandes operadoras paga, mas o código TUSS aceito e o valor variam — sempre consulte antes de atender.
Conclusão
Telemedicina é oportunidade real de receita — e também de glosa, se faltar processo. Use o código TUSS certo, mantenha documentação organizada e valide cada guia antes do envio com o validador TISS. Assim, a clínica recebe pelas consultas online com a mesma previsibilidade do atendimento presencial.
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