Tutoriais

Telemedicina e TISS: como faturar consultas online sem glosa

Equipe TISS Manager30 de maio de 20268 min de leitura
Telemedicina e TISS: como faturar consultas online sem glosa

A telemedicina deixou de ser experimento e virou parte da operação de clínicas e consultórios. O lado bom: alcance e conveniência. O lado complicado: as operadoras passaram a apertar a régua no faturamento, e qualquer descuido vira glosa. Veja como faturar consultas online de forma segura.

O que mudou: regulamentação CFM e ANS

Após a pandemia, o Conselho Federal de Medicina publicou a Resolução CFM 2.314/2022, que regulamenta a prática de telemedicina no Brasil — modalidades (teleconsulta, telediagnóstico, teleinterconsulta), responsabilidade, prontuário eletrônico e termo de consentimento.

Do lado da ANS, o padrão TISS evoluiu para acomodar essa realidade. As versões 4.x melhoraram campos de identificação da modalidade do atendimento, e operadoras passaram a exigir indicação clara de "atendimento presencial" ou "telessaúde".

Códigos TUSS para telemedicina

Existem códigos TUSS específicos para teleconsulta e atendimentos remotos. Cada operadora publica em seu contrato quais códigos aceita e o valor pago. Não use o código de consulta presencial para faturar telemedicina — é glosa quase certa.

Mantenha a tabela TUSS atualizada e cheque com sua operadora quais códigos de telessaúde estão liberados no contrato vigente.

Documentação obrigatória para não cair em glosa

Operadoras pedem evidência de que a consulta realmente aconteceu via plataforma adequada. Tenha em arquivo:

  • Termo de consentimento assinado pelo paciente (pode ser digital).
  • Registro no prontuário eletrônico com modalidade, horário e plataforma.
  • Identificação do médico com CRM e UF.
  • Log da plataforma de teleatendimento (data, hora, duração).
  • Assinatura digital com ICP-Brasil no prontuário, recomendada pelo CFM.

Passo a passo para emitir a guia TISS de telemedicina

1. Confirme a elegibilidade do beneficiário (rode consulta de elegibilidade antes da consulta).

2. Realize a teleconsulta em plataforma compatível com a Resolução CFM.

3. Registre o atendimento no prontuário, gere termo de consentimento e arquive o log da plataforma.

4. Monte a guia TISS (geralmente uma Guia de Consulta) com o código TUSS específico de telemedicina, indicando claramente a modalidade.

5. Valide o XML no validador TISS online e transmita à operadora dentro do prazo da competência.

Vídeo: pratique vendo na tela

Para ver telemedicina sendo faturada na prática, busque no YouTube: faturar telemedicina TISS convênio. Há vídeos de consultorias mostrando o passo no software de gestão.

Perguntas frequentes

Posso atender por WhatsApp e faturar como telemedicina?

Não. O CFM exige plataforma específica que garanta segurança, registro e identificação. WhatsApp comum não atende aos requisitos para fins de telemedicina formal.

O paciente precisa morar na mesma cidade?

Não. A telemedicina pode ser realizada com pacientes em qualquer localidade do Brasil, desde que o médico tenha CRM ativo e siga a Resolução CFM 2.314/2022.

Como saber se o convênio paga telemedicina?

Confirme no contrato com a operadora. A maioria das grandes operadoras paga, mas o código TUSS aceito e o valor variam — sempre consulte antes de atender.

Conclusão

Telemedicina é oportunidade real de receita — e também de glosa, se faltar processo. Use o código TUSS certo, mantenha documentação organizada e valide cada guia antes do envio com o validador TISS. Assim, a clínica recebe pelas consultas online com a mesma previsibilidade do atendimento presencial.

Continue lendo